terça-feira, 13 de outubro de 2015

Meu cabelo, minha identidade

  Cabelo tem muito de aceitação, auto-estima e auto-imagem. Especialmente no Brasil, beleza é algo muito importante socialmente. Pode analisar! Existe até uma célebre frase de Vinicius de Moraes “Me perdoem as feias, mas beleza é fundamental.” Não sou muito adepta desse modo restrito de pensamento, tampouco de padrões e preconceitos de beleza, mas precisamos ser realistas e ter consciência que mais da metade das pessoas que  encontramos por dia, não saberão nada sobre nós além do que  aparentamos ser. Isso parece trágico do ponto de vista do humano/emocional, mas ter consciência da hipócrita condição das nossas relações sociais considero um trunfo.
  Ah, então eu preciso ter uma imagem que agrade as pessoas? NÃO!!!! Precisamos ter a coragem de expor fisicamente a nossa personalidade para que nossa imagem seja a representação do que se passa no nosso pensamento. Tudo bem que eu não sou a pessoa mais adequada para dar esse recado, quando analisada de uma forma global. Contudo, se a questão for “cabelística” eu terei propriedade em falar.
  Meu cabelo sofreu muitas metamorfoses ao longo da minha vida e na adolescência ele passou a ser classificado como um fuá para muitos, inclusive para mim. Numa explicação cronológica rápida, meu cabelo era 2a (ondulado apenas nas pontas) até os 5 anos, 1c (liso não chapado) até os 12 anos, indefinido até os 20 e poucos e finalmente 2b (ondulado sem formar cachos). Dos 12 até os 20 e poucos meu cabelo era um tormento. Estava sempre com ele preso no dia a dia e quando dava ($) escovava para eventos. Tudo isso porque não sabia cuidar, além da minha preguiça gigantesca de fazer os tratamentos, reforçada pela desculpa de não ter dinheiro. As coisas começaram a mudar quando nas pesquisas na internet de soluções para o ressecamento critico e principalmente por ter decidido fazer luzes ombré encontrei o Cronograma Capilar, um grupo sobre isso no facebook e o grupo das amigas onduladas. Estudei com afinco sobre os tratamentos capilares e sobre minha textura de fio, foi então que descobrir minha identidade escondida pela falta de cuidados adequados para meu tipo de cabelo. Tudo foi dando certo e melhorando minha auto-estima e auto-imagem, o ondulado me representava e era tudo que eu gostaria de deixar como imagem para as pessoas que só conhecem minha aparência. Um cabelo curvilíneo, volumoso e livre.
  Não parei por ai, pois desde muito pequena achava as ruivas poderosas e desejava um dia ter todo aquele poder, força e sensualidade. Foi então que decidir largar o ombré e ficar ruiva. Sábia decisão! Não que ser morena não me agrade, ainda me bate uma saudade do cabelo na cor natural, mas o ruivo é forte e vibrante como o meu eu interior, desconhecido de muitos.  E hoje amo usar meu cabelo livre, ondulado, desalinhado, ruivo e vibrante, mesmo que para alguns ele seja só um fuá e uma escova ou progressiva me cairia melhor.  Meu cabelo foi o meu primeiro grito de liberdade de muitos que ainda tenho vontade de dar.
  Cabelo é identidade e representa muito nossas atitudes e pensamentos. Quando me olho no espelho meu cabelo me diz que sou livre, forte e vibrante e eu amo isso! E essa é uma experiência que desejaria que todos pudessem ter ou ao menos se permitissem experimentar.


Meu cabelo atualmente.

Então, também acham que cabelo é nossa identidade? Deixe sua opinião nos comentários.

Um xero e até a próxima!  ;)  :*

Suzana Freitas 

5 comentários:

Alaíne Costa disse...

Que texto maravilhoso, me senti representada nele. Tbm demorei muito pra aceitar meu cabelo. E como é bom se olhar no espelho e se sentir bem com o que está lá.

Alaíne Costa disse...

Que texto maravilhoso, me senti representada nele. Tbm demorei muito pra aceitar meu cabelo. E como é bom se olhar no espelho e se sentir bem com o que está lá.

Suzana Freitas disse...

Feliz por você ter gostado e o mais legal se sentir representada. Xero, Lay!!

Mayra Santos disse...

Parabéns, Suzana. Você se expressa muito bem. Adorei o texto. E concordo plenamente, nossa aparência pode demonstrar um pouco do nosso interior, de nossa personalidade. E libertar-se dos padrões impostos, é um ato silencioso e revolucionário. Rss. Muito bom. :)

Suzana Freitas disse...

Que maravilha ter seu elogio Mayra! Realmente isso é revolucionário.