Cabelo tem muito de aceitação,
auto-estima e auto-imagem. Especialmente no Brasil, beleza é algo muito
importante socialmente. Pode analisar! Existe até uma célebre frase de Vinicius
de Moraes “Me perdoem as feias, mas beleza é fundamental.” Não sou muito adepta
desse modo restrito de pensamento, tampouco de padrões e preconceitos de
beleza, mas precisamos ser realistas e ter consciência que mais da metade das
pessoas que encontramos por dia, não
saberão nada sobre nós além do que
aparentamos ser. Isso parece trágico do ponto de vista do
humano/emocional, mas ter consciência da hipócrita condição das nossas relações
sociais considero um trunfo.
Ah, então eu preciso ter uma
imagem que agrade as pessoas? NÃO!!!! Precisamos ter a coragem de expor
fisicamente a nossa personalidade para que nossa imagem seja a representação do
que se passa no nosso pensamento. Tudo bem que eu não sou a pessoa mais
adequada para dar esse recado, quando analisada de uma forma global. Contudo,
se a questão for “cabelística” eu terei propriedade em falar.
Meu cabelo sofreu muitas
metamorfoses ao longo da minha vida e na adolescência ele passou a ser
classificado como um fuá para muitos, inclusive para mim. Numa explicação
cronológica rápida, meu cabelo era 2a (ondulado apenas nas pontas) até os 5
anos, 1c (liso não chapado) até os 12 anos, indefinido até os 20 e poucos e
finalmente 2b (ondulado sem formar cachos). Dos 12 até os 20 e poucos meu
cabelo era um tormento. Estava sempre com ele preso no dia a dia e quando dava
($) escovava para eventos. Tudo isso porque não sabia cuidar, além da minha
preguiça gigantesca de fazer os tratamentos, reforçada pela desculpa de não ter
dinheiro. As coisas começaram a mudar quando nas pesquisas na internet de
soluções para o ressecamento critico e principalmente por ter decidido fazer
luzes ombré encontrei o Cronograma Capilar, um grupo sobre isso no facebook e o
grupo das amigas onduladas. Estudei com afinco sobre os tratamentos capilares e
sobre minha textura de fio, foi então que descobrir minha identidade escondida
pela falta de cuidados adequados para meu tipo de cabelo. Tudo foi dando certo
e melhorando minha auto-estima e auto-imagem, o ondulado me representava e era
tudo que eu gostaria de deixar como imagem para as pessoas que só conhecem
minha aparência. Um cabelo curvilíneo, volumoso e livre.
Não parei por ai, pois desde
muito pequena achava as ruivas poderosas e desejava um dia ter todo aquele
poder, força e sensualidade. Foi então que decidir largar o ombré e ficar
ruiva. Sábia decisão! Não que ser morena não me agrade, ainda me bate uma
saudade do cabelo na cor natural, mas o ruivo é forte e vibrante como o meu eu
interior, desconhecido de muitos. E hoje
amo usar meu cabelo livre, ondulado, desalinhado, ruivo e vibrante, mesmo que
para alguns ele seja só um fuá e uma escova ou progressiva me cairia
melhor. Meu cabelo foi o meu primeiro
grito de liberdade de muitos que ainda tenho vontade de dar.
Cabelo é identidade e representa
muito nossas atitudes e pensamentos. Quando me olho no espelho meu cabelo me
diz que sou livre, forte e vibrante e eu amo isso! E essa é uma experiência que
desejaria que todos pudessem ter ou ao menos se permitissem experimentar.
| Meu cabelo atualmente. |
Então, também acham que cabelo é nossa identidade? Deixe sua opinião nos comentários.
Um xero e até a próxima! ;) :*
Suzana Freitas
5 comentários:
Que texto maravilhoso, me senti representada nele. Tbm demorei muito pra aceitar meu cabelo. E como é bom se olhar no espelho e se sentir bem com o que está lá.
Que texto maravilhoso, me senti representada nele. Tbm demorei muito pra aceitar meu cabelo. E como é bom se olhar no espelho e se sentir bem com o que está lá.
Feliz por você ter gostado e o mais legal se sentir representada. Xero, Lay!!
Parabéns, Suzana. Você se expressa muito bem. Adorei o texto. E concordo plenamente, nossa aparência pode demonstrar um pouco do nosso interior, de nossa personalidade. E libertar-se dos padrões impostos, é um ato silencioso e revolucionário. Rss. Muito bom. :)
Que maravilha ter seu elogio Mayra! Realmente isso é revolucionário.
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